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Foto: Mosaico Imagem/Divulgação PMVNI

Oito Indicações Geográficas capixabas ganham espaço coletivo para valorizar origem, tradição e identidade dos territórios

Incubadora do Ifes Campus Venda Nova articula participação das associações em ambiente inédito, com experiências, histórias e cozinha show dedicada exclusivamente a produtos com IG

A riqueza da produção capixaba e a identidade dos territórios reconhecidos por sua excelência estarão em evidência na 6ª Feira Estadual de Turismo Rural (RuralturES 2026), de 13 a 16 de agosto, no Distrito Turístico de Pindobas, em Venda Nova do Imigrante, com entrada gratuita. Nesta edição, oito Indicações Geográficas (IGs) do Espírito Santo estarão reunidas em um espaço coletivo voltado à valorização de produtos reconhecidos oficialmente por sua origem e qualidade.

A participação está sendo organizada pela Incubadora de Empreendimentos Inovadores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus Venda Nova do Imigrante, a “InovaVNI”, que atua diretamente na articulação com os representantes e produtores das associações, em parceria com o Sebrae/ES e o Montanhas Capixabas Convention & Visitors Bureau (MCC&VB), organizadores da Feira.

A iniciativa marca a terceira edição do trabalho conjunto envolvendo as IGs capixabas. O primeiro encontro entre as associações ocorreu em 2024 e, em 2025, elas passaram a contar com um espaço exclusivo na RuralturES. Agora, o ambiente coletivo será ampliado com ações voltadas à aproximação do público. Além da exposição dos produtos, foram produzidos folders explicativos para divulgar as as IGs e facilitar a compreensão sobre esse importante instrumento de propriedade intelectual.

*Foto: AssCom RuralturES

“O principal objetivo é que as pessoas entendam o que é uma Indicação Geográfica. Vamos proporcionar experiências e contar as histórias que existem por trás de cada produto”, destaca a bolsista em Gestão da Incubadora do Ifes, Oziléia Degasperi Lisboa. Ela ressalta ainda que a Incubadora atua há anos junto às IGs capixabas, tem a Associação dos Produtores de Cafés Especiais das Montanhas do Espírito Santo (Acemes) como incubada residente e vem apoiando diretamente a organização da participação coletiva na RuralturES.

Entre as novidades desta edição está a realização de uma cozinha show, que utilizará exclusivamente produtos com Indicação Geográfica na elaboração de receitas, reforçando a conexão entre gastronomia, turismo e identidade territorial. Durante os quatro dias de evento, os visitantes poderão conhecer, degustar e adquirir produtos reconhecidos oficialmente, além de conversar diretamente com produtores e artesãos, que compartilharão as histórias, tradições e saberes preservados por gerações. Atualmente, o Espírito Santo possui 11 associações detentoras de Indicação Geográfica, das quais oito participarão da Feira, representando diferentes regiões e cadeias produtivas do estado.

As associações participantes reúnem seis Indicações de Procedência (IP) e duas Denominações de Origem (DO). Entre as IPs estarão representados o Cacau do Espírito Santo, pela Associação dos Cacauicultores do Espírito Santo (Acau); a Pimenta-rosa do Espírito Santo, pela Associação dos Produtores de Aroeira do Espírito Santo (Nativa); o Café Conilon do Espírito Santo, pela Federação dos Cafés do Estado do Espírito Santo (Fecafés); as tradicionais Panelas de Barro de Goiabeiras, pela Associação das Paneleiras de Goiabeiras (APG); o Socol de Venda Nova do Imigrante, pela Associação dos Produtores de Socol de Venda Nova do Imigrante (Assocol); e o Beiju do Sapê do Norte, pela Associação das Produtoras Quilombolas de Beiju do Sapê do Norte. Nas Denominações de Origem participam a Acemes e a Associação de Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec).

*Foto: Divulgação Sebrae/ES

Reputação

As Indicações Geográficas são reconhecimentos concedidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a produtos ou serviços cujas características, qualidade ou reputação estão diretamente ligadas ao território de origem. No Brasil, esse reconhecimento se divide em duas modalidades: a Indicação de Procedência, que identifica localidades reconhecidas pela produção de determinado produto ou serviço; e a Denominação de Origem, que certifica que as características do produto resultam essencialmente das condições naturais e dos saberes humanos do território.

Para a analista técnica da Unidade de Competitividade e Produtividade do Sebrae/ES, Adriana de Jesus Notaroberto, ampliar o conhecimento do consumidor sobre o significado de uma Indicação Geográfica ainda é um dos principais desafios. “Muitas pessoas ainda não associam o selo de IG a atributos como origem certificada, qualidade diferenciada, tradição, sustentabilidade e desenvolvimento do território. Por isso, além do trabalho técnico de estruturação das cadeias produtivas, é fundamental investir em comunicação, experiências de consumo e aproximação entre produtores e mercado”, afirma. 

Segundo Adriana, a RuralturES cumpre um papel estratégico nesse processo ao conectar histórias, pessoas e produtos em um mesmo ambiente. “Quando o visitante conhece a origem de um café, de um cacau ou de outro produto com Indicação Geográfica, ele passa a perceber o valor que existe por trás daquela produção. Isso fortalece a confiança na marca territorial, gera novas oportunidades de negócios e estimula a inovação na forma como os territórios promovem sua identidade”, completa.